Vou transcrever um excerto de um texto de INGMAR BERMAN escrito por ocasião do prémio Érasme que lhe foi atribuido em 1965. "A criação artistica sempre se manifestou em mim como uma ansia. (...) Durante vinte anos, sem me cansar, com uma espécie de exaltação, transmiti sonhos, sensações, fantasias, crises de loucura, neuroses, êxtases da fé e puras mentiras. A minha ansia foi renovada incesantemente. De uma forma surpreendente, mas finalmente pouco interessante, o dinheiro, a celebridade, o sucesso cruzaram o meu caminho. Ao dizer isto, não subestimo de forma alguma o que, acidentalmente, possa ter realizado. A arte enquanto satisfação de si mesmo pode naturalmente ter uma certa importância - sobertudo para o artista. Portanto, se eu quiser ser verdadeiramente sincero, a arte (e não só a arte cinematográfica) para mim não tem importancia. A literatura, a pintura, a musica e o teatro geraram-se e alimentam-se de si próprios. Novas mutações, novas combinações sugem e aniquilam-se; ...