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Mensagens

A mostrar mensagens de dezembro, 2008
Ano Novo Ficção de que começa alguma cousa! Nada começa: tudo continua. Na fluida e incerta essência misteriosa Da vida, flui em sombra a água nua. Curvas do rio escondem só movimento. O mesmo rio flui onde se vê. Começar só começa em pensamento. _ Fernando Pessoa_ Bom dia, bom 2009, boa vida!
Hoje estive a arrumar umas coisas… e dei comigo a olhar para um pequeno apontamento que dizia: "Alegoria da Caverna - Platão Metáfora, a vida após abrir os olhos"   Já não tinha presente esta "metáfora", então revolvi reler o seguinte excerto da "Alegoria da Caverna" da "Republica" de Platão.   "- (...) Imagina uma caverna subterrânea que tem a toda a sua largura uma abertura por onde entra livremente a luz e, nessa caverna, homens agrilhoados desde a infância, de tal modo que não possam mudar de lugar nem volver a cabeça devido às cadeias que lhes prendem as pernas e o tronco, podendo tão-só ver aquilo que se encontra diante deles. Nas suas costas, a certa distância e a certa altura, existe um fogo cujo fulgor os ilumina, e entre esse fogo e os prisioneiros depara-se um caminho dificilmente acessível. Ao lado desse caminho, imagina uma parede semelhante a esses tapumes que os charlatães de feita colocam entre si e os espectadore...
O dia deu em chuvoso "O dia deu em chuvoso.  A manhã, contudo, esteve bastante azul.  O dia deu em chuvoso.  Desde manhã eu estava um pouco triste.  Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?  Não sei: já ao acordar estava triste.  O dia deu em chuvoso.  Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.  Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.  Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.  Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?  Dêem-me o céu azul e o sol visível.  Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.  Hoje quero só sossego.  Até amaria o lar, desde que o não tivesse.  Chego a ter sono de vontade de ter sossego.  Não exageremos!  Tenho efetivamente sono, sem explicação.  O dia deu em chuvoso.  Carinhos? Afetos? São memórias...  É preciso ser-se criança para os ter...  Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!  O dia deu em chuvoso.  Boca bonita da filha do caseiro,  Polpa de fruta de um coração por comer...  Quando foi ...

É NATAL!!!

Anne-Julie Aubry É nATAL!!!  Tempo de desenhar sONHOS e bALANÇOS do rumo da vIDA, de estar em fAMILIA e entre aMIGOS...É tEMPO de AMOR!  Deixo- te aqui um pequeno mIMO de nATAL !  Um excerto do conto Os Três Reis do Oriente , do livro Contos Exemplares  de Sophia de Mello Breyner Andresen . " A estrela ergueu-se muito devagar sobre o Céu, a Oriente. O seu movimento era quase imperceptível. Parecia estar muito perto da terra. Deslizava em silêncio, sem que nem uma folha se agitasse. Vinha desde sempre. Mostrava a alegria, a alegria una, sem falha, o vestido sem costura da alegria, a substância imortal da alegria. E Baltasar reconheceu-a logo, porque ela não podia ser de outra maneira." _ Sophia de Mello Breyner Andresen  _ dESEJO-TE um nATAL bELO!! bEIJICOS... ;)

O que é a criação?

Vou transcrever um excerto de um texto de INGMAR BERMAN escrito por ocasião do prémio Érasme que lhe foi atribuido em 1965. "A criação artistica sempre se manifestou em mim como uma ansia. (...) Durante vinte anos, sem me cansar, com uma espécie de exaltação, transmiti sonhos, sensações, fantasias, crises de loucura, neuroses, êxtases da fé e puras mentiras. A minha ansia foi renovada incesantemente. De uma forma surpreendente, mas finalmente pouco interessante, o dinheiro, a celebridade, o sucesso cruzaram o meu caminho. Ao dizer isto, não subestimo de forma alguma o que, acidentalmente, possa ter realizado. A arte enquanto satisfação de si mesmo pode naturalmente ter uma certa importância - sobertudo para o artista. Portanto, se eu quiser ser verdadeiramente sincero, a arte (e não só a arte cinematográfica) para mim não tem importancia. A literatura, a pintura, a musica e o teatro geraram-se e alimentam-se de si próprios. Novas mutações, novas combinações sugem e aniquilam-se; ...

O conto das rãs!!

A pedido da Fátima, por quem tenho muito carinho, transcrevo neste meu espaço o conto das rãs. Assim todos podem relê-la quando assim pretenderem. "Era uma vez duas rãs que caíram numa taça de natas. Rapidamente se aperceberam de como estavam a afundar-se: era impossível nadar ou flutuar durante muito tempo na massa espessa como areias movediças. No início, as duas rãs tentaram bater as patitas para chegarem à borda do recipiente. Mas era inútil; por mais que se mexessem, não saíram do mesmo lugar e estavam cada vez mais atoladas. Sentiam uma dificuldade crescente em vir à superfície respirar. Uma delas disse em voz alta: - Já não aguento mais. É impossível sair daqui. Não se consegue nadar nesta pasta. Já que vou morrer, não vejo de que serve prolongar este sofrimento. Não faz sentido morrer cansada por causa de um esforço inútil. Dito isto, deixou de bater com as patitas e afundou-se rapidamente, engolida pelo espesso líquido branco. A outra rã, mais persistente ou talvez mais c...

Cegueira dos olhos...

" Lorem ipsum . Texto cego é um texto que não vê. E o que os olhos não vêem o coração não sente. Não sente por isso o texto cego. É insensível, apático, impiedoso. quia dolor sit . Mal sabia Cícero que Os Extremos do Bem e do Mal seriam hoje sinónimo de vazio. amet, consectetur . Nas reflexões éticas de Cícero está hoje a função de encher espaços de texto em trabalhos editoriais, garantir que o leitor não se distrai com o conteúdo e atenta apenas na forma. Lorem ipsum é na realidade Dolorem ipsum , latim para “a dor em si mesma”. Texto cego é texto que não vê. E o que os olhos não vêem o coração não sente. À excepção da dor em si mesma, a única que o texto pode sentir no vazio que representa, no seu papel de conteúdo em sentido figurado. adipisci velit . Texto cego é um texto que não vê. Mas, como diz Saint-Exupéry, o que nos vale é que o essencial é invisível para os olhos. etiam eget ligula ." _Joana Mouta_ Pois bem... cá estou eu novamente... O texto que acabaram de ler f...
Ontem li uma história... O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá É uma história deliciosa de Jorge Amado, que enquadro nas obras do universo mágico, mas que considero bem mais do que isso... É UMA HISTÓRIA DE AMOR! Esta história proporcionou-me um momento de grande prazer, por isso resolvi partilhar a sua existência… … não vou escrever sobre a história para que não perca o seu encanto, nem a vou transcrever em 10 ou 20 passagens deslumbrantes, para não reduzir o seu conteúdo. Vou apenas referir que se encontra magnificamente ilustrada com aguarelas de Carybé e transcrever a introdução. "Era uma vez antigamente, mas muito antigamente, nas profundas do passado quando os bichos falavam, os cachorros eram amarrados com lingüiça, alfaiates casavam com princesas e as crianças chegavam no bico das cegonhas. Hoje meninos e meninas já nascem sabendo tudo, aprendem no ventre materno, onde se fazem psicanalisar para escolher cada qual o complexo preferido, a angústia, a solidão e a violência. Ac...