No passado dia 20 de Julho, no Armazém das Artes, teve lugar a apresentação do exercicio final do Workshop de Teatro com Claudio Teixeira.
Essa apresentação foi composta por curtas récitas do texto que aqui apresento, "vi e vivi...", e breves momentos de movimento interpretativos da descrição oral.
"Vi e Vivi...
Está calor, sol, movimento, pessoas a passar, um homem passeia um cão, pessoas na esplanada...
Sozinha, sentada na esplanada está uma mulher velha. Tem as pernas ligeiramente abertas e a sua perna direita estendida sobre a cadeira que tem à sua frente. Sozinha, lê uma receita publicada numa revista, e apesar de usar óculos, estes parecem já não ser suficientemente fortes para conseguir ler, pois aproxima a revista até junto do rosto envelhecido.
Parto em busca de mais sensações…
Numa loja de produtos regionais a funcionária encontra-se sozinha e sentada num sofá, mas assim que me aproximo da porta, num pulo coloca-se de pé e de sorriso gordo estampado no rosto! Segue-me com o olhar, já não sou só eu a observar, agora também eu sou observada com simpatia e toda a gentileza… Agradeço e saio!
Sigo atrás de um grupo de rapazes estrangeiros (aparentemente alemães).
Um deles arrasta os chinelos pelo chão fazendo muito barulho, apesar de ser corpulento tem uma postura fechada, como se o abdómen estivesse contraído, e fumega um cigarro. Chega ao portal, apaga o cigarro no chão com o pé e entra.
Estou de regresso, observei muitas coisas, mas nada extremamente forte!
Olho para o lado e está um rapaz sentado na sombra da esplanada, de pernas abertas e a mexer no cabelo com a mão esquerda… está simplesmente ali, relaxado, olha, olha para as pessoas, para os carros, para mim, para os carros, para as pessoas…
Volto para dentro deste espaço e o calor é menor, está tudo calmo e revivo o que vivi… afinal existiam muitas coisas para reviver!"
bOM mOMENTO!
Um exercicio de aLGÉM qUE aPENAS gOSTA dE cRER eNQUANTO dURA, tal como no poema de Fernado Pessoa (que me foi dado a conhecer por um gRANDE amigo... oBRIGADA!):
"Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser."
_Fernado Pessoa_
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